Pubicado em: qua, ago 26th, 2015

O mensageiro das estrelas chega para dar o anuncio

 

Com um megafone eles anunciam os folguedos de momo, como meninos que esperam ansiosamente o carnaval. Mesmo assim, observam com olhares acabrunhados como se alguém os estivessem a julgar. Mas quando deixam de lado os “disse me disse” eles se transfiguram no “Bloco Anárquico Aqui só Entra Mulher” que aproveitando a timidez um pouco adormecida saem da caixa correndo pra subir e descer ladeiras, entrando e saindo de becos e ruas e ainda tentam se juntar ao Boi Rubro Negro de Dona Dora lá do Alto Santo Antônio, em Camaragibe. O mensageiro das estrelas chega pra dar o anuncio.

Quando boa parte de suas esperanças são cantadas por alguns certos amores platônicos ou passageiros que surgem lá das terras da Paraíba. Mas normalmente eles costumam falar dos antigos casarões do Recife ou das ladeiras de Olinda, ou das sambadas dos Maracatus da Zona da Mata norte ou então fazem versos e prosas arrematando a história já tanto escutada do dirigível Zeppelin. Ainda assim de forma introvertida, deixam-se ir ao risco e não ao acaso. Pelo contrario, são perfeccionistas e buscam o seu lugar ao sol e a lua

Falo aqui de um troço, batizado como Atroça Frevo Alternativo. Os megafones desta Troça são reverberados por: Filipe Lima, Ivson Borges, Davison Wescley, Sérgio Francisco e Uel Borges. Essa moçada tomou gosto pela coisa e já se acostumou a caminhar com suas próprias pernas, acredito que logo mais estarão colhendo outros frutos bastando agora sair da caixa da timidez e rasgando e arriscando mais entre seus versos muito bem elaborados pelo Uel, pois ainda seus corpos estão um pouco acanhados. Atroça Frevo Alternativo é uma pedida bem legal pra se conhecer e ouvir.

Nas próximas linhas seguem um bate papo com o Uel Borges durante o momento em que eu voltava de viagem à Camaragibe.

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Ângelo Fábio

Boa tarde os que fazem Atroça! Em que ano se deu a conformação de… Atroça FrevodeRepenteRock e quais foram suas principais influências?

Atroça FrevoAlternativo

Atroça surgiu em meados de 2009 quando voltei de João Pessoa. O nome faz parte da ideia dos meninos da antiga formação, Jailton Carneiro e Anderson Brito, mas a princípio foi difícil pensar em uma identidade pra banda a partir desse nome. Já tínhamos uma ideia de elementos como megafone confetes e boina em nossa formação visual e estética mas o nome nos posibilitou e delimitou nossa visão musical para esse projeto. Nossas influências são ligadas ao imaginário poético nordestino, desde às obras literários ao universo musical, mas precisamente Guimarães Rosa, Ariano, Patativa, Alceu Valença Zé Ramalho Flávia Venceslau e tantos outros como nosso campo musical di respeito O frevo, temos em Capiba Nelson Ferreira Edgard Moraes Getúlio Cavalcanti e outros orientadores da nossas pesquisa

Ângelo Fábio
E
ntão se tem por ai uma influência direta da estética armorial no que diz respeito a musicalidade e poesia. Como se deu esta escolha?

Atroça FrevoAlternativo

Aconteceu de forma involuntária no sentido de se pensar isso mas de certa forma dialogamos com o pensamento armorial na perspetiva de arte integrada e regionalista. De voltar os olhares para o nosso e se mais que isso, se pensar a partir das nossas criações todo nosso cenário e sua riqueza. Quando pensamos o projeto sentimos uma grande conexcao com o pensar de Osvald de Andrade e seu movimento antropofágico de arte.

Ângelo Fábio

Já se tem uma previsão para lançar o primeiro disco? Pois já se tem feito dois ep’s, não?
No município de Camaragibe o Atroça FrevoAlternativo tem caminhado junto a uma militância alternativa de arte e cultura independente. Como se dá esta construção coletiva e como a gestão pública dialoga com o movimento?

Atroça FrevoAlternativo

Camaragibe entra em alguns momentos ñ expressos em canções talvez apenas em uma ou outra. Nossas vivências são parte dessa cidade por integrar a Mata ao Recife como um local de descanso e observatório da estrada de passagem.

- Sim, temos dois EP’s Na quarta-feira, 2010 e Megafone Frevo, 2013. A ideia é sempre pensar em nossas produções como consequência das nossas apresentações. Assin, nosso próximo EP se chamará Vir Qui Baccilun Perdidi (O homem que perdeu sua batuta ). Mas quando se fala em lançar um disco pensamos na dificuldade de se capitar recursos que possibilitem algo de qualidade. Esse é um projeto futuro com recursos governamentais ou não.

-Ah, Atroça sempre pensou arte como parte de um processo de conquistas e relações bilaterais de conhecimentos. Assim, a cultura dialoga com os muitos indivíduos formando correntes que dispõe de muitas faces. Como faço parte a frente do Usina Coletivo, tenho a concepção que essa ideologia fortalece a cena local e propõe caminhos para os diversos segmentos artísticos da cidade. Quanto a gestão municipal, sentimos um grande desprezo por se pensar cultura. Nossos gestores ñ compreendem a dimensão da construção Cultural que estamos inseridos, confundindo a fundação de Cultura com uma produtora de eventos ou mesmo um local inerte no que diz respeito ao conceito social que concentra.

Ângelo Fábio

A minha conexão móvel foivas estrelas, mas volto… Atroça FrevodeRepenteRock por um Frevo Alternativo que se transforma em um troço… o que seria uma troça neste sentimento?

E por fim… Uel, Atrocç frevo alternativo tem algum plano futuro ou no presente em conjunto com a música e a militância social que venha se conectar com o público de outra maneira?
Desde já agradeço este bate papo!

Atroça FrevoAlternativo

Seria o folguedo popular mais tradicional do nosso estado. Pra termos ideia, em outros lugares do Brasil talvez não se tenha Real dimensão da expressão. No dicionário o verbo troçar é bem antigo e já saiu de uso. Contudo se perpétuo nos folguedos populares pernambucano. Na banda temos essa ideia por contemplar o universo carnavalesco e por dar dimensão ao cenário construído pelas festas de Momo.

Temos sim, a banda e o coletivo tem o direcionamento de certo modo parparecidos. Mesmo a banda sendo um produto, seguimos a ideologia de promover cultura e direcionar olhares ao questionamento do regionalismo e arte em geral. Assim, de grosso modo, nos afirmamos por acreditar no melhoramento das ações humanas através da arte. O coletivo é também uma produtora independente, auxiliando outras bandas e incentivando ações no município. O coletivo surgiu em 2011 com esse propósito, dar suporte aos artistas e questionar o poder público. Como a banda faz parte desse cenário, nos propomos a ter uma banda que transita pela cultura marginal questionadora e o produto artístico que busca mercado, uma coisa quase sempre difícil de desvencilhar. A banda tem perspetiva de gravar uma música com a participação de Silvério Pessoa, O Conde da boa vista, que sai ainda esse ano. O coletivo está empenhado na coordenação e parceria com a ASMUCA para administração antiga sede de música municipal. Além de conversações com os gestores e projetos ao longo do ano.

Para maiores informações:
https://soundcloud.com/atrocafrevoderepenterock

https://www.facebook.com/bandatroca/timeline

https://www.facebook.com/atroca.frevoderepenterock?fref=ts

Por Ângelo Fábio

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