Pubicado em: sex, jul 31st, 2015

MAMAM. Um duplo Desconforto!

 

Desconforto 1.

O início será dado pelo fim. 22 de julho de 2015, eram 17h35min, estava eu na primeira sala espremida e sufocada dedicada a Aluisio Magalhães. Embaixo das escadas encontravam-se objetos que cuja ideia é formar os “cartemas” de Aloísio Magalhães junto à interação do público. Os observo, toco, brinco um pouco com eles e os deixo no mesmo lugar em que os encontrei e logo em seguida vou em direção ao labirinto confuso e comprimido que se encontra de forma compactada boa parte do acervo A.M. Estando ali naquele espaço começo a tirar fotos do que vejo e ao fundo escuto a voz do Guarda Municipal, que momentos antes se encontrava entretendo-se em seu celular. Ele me dizia: “os objetos é pra ser visto e não pra ser levados” (adaptei as palavras, pois não me recordo bem das mesmas, mas o sentido é o mesmo). Logo em seguida lhe digo de forma tranquila e lhe mostro qual objeto tenho em minha mão. Meu caderno de anotações. – Como se não bastasse esta comunicação, o guarda municipal vai em direção ao monitor do MAMAM (certamente para informar algo referente aos objetos), este monitor se aproxima a mim de forma “torpe e tímida” voltando a falar do mesmo tema que o guarda tinha falado a pouco tempo.

Logo em seguida paro tudo o que venho fazendo, lhe observo nos olhos, deixo de forma explicita quais são os objetos que se encontra em minha mão. Ele continua de maneira “sutil”, porém persiste sobre o tema de que os objetos estão ali como parte da exposição e não para ser levado pelo público. Digo-lhe de que tenho consciência disso e pergunto se tem algum problema. E ai ele volta a falar sobre o mesmo tema, já por conseqüência disto passo a ficar na defensiva e completamente desconfortável com toda esta situação. Solicito que o mesmo vá até o circuito de segurança para averiguar se há ocorrido qualquer tipo de irregularidade. Desloco-me até o hall de entrada e passo a escrever numa folha o acontecido neste curto espaço de tempo.

No hall encontram-se os três monitores, uma que tenta contornar a situação dizendo que tudo não passou de um pequeno equívoco, a outro que não entendia absolutamente nada e o rapaz que mantinha-se firme e forte em suas “justificativas”. Enquanto isso o Guarda Municipal seguia explicando todo o seu ato.

Dentro de toda esta odisséia carregada de desconforto relato aos monitores algumas situações que me tem passado nestas instituições públicas, pseudo-s “democráticas” e com finalidades artísticas culturais e de que depois de idas e vindas pelo MAMAM esta foi à primeira vez que me aconteceu tamanho mal estar. Então lanço a pergunta de que são os reais culpados por estas folhas de comunicação.

  1. Como se dá o processo de escolha e capacitação dos profissionais envolvidos num espaço que tem como finalidade a execução de atividades artísticas educacionais?
  2. Os Guardas Municipais recebem capacitações/instruções de como se dar com situações deste tipo, como tratar com o público?
  3. Quais são os sistemas e programas de funcionamento para a capacitação d@s monitores/ras do museu?
  4. Como que em uma instituição do porte do MAMAM pode ter ainda falhas em seu sistema de segurança? Seja ele em relação ao ser – humano quanto à própria infraestrutura dos circuitos internos de segurança?
  5. Por que ainda o MAMAM segue com um péssimo sistema de iluminação?
  6. Uma não devida capacitação destes jovens educadores?
  7. Como se dá a relação entre a gestão pública (PCR), a diretoria do MAMAM em conjunto com todos os tópicos citados acima?

A ponta do iceberg de todo este embrulho descomunal nasce da atitude do segurança que se ele estivesse desenvolvendo o seu papel como tal, ele viria de que eu em momento algum levei para mim qualquer cartema e respectivamente este jovem monitor deveria saber de como abordar de forma objetiva apaziguando eventuais problemas. Ao invés disto segue a justificar e querer solucionar suas duvidas diante toda esta problemática.

O descaso com nossos equipamentos públicos nos levam a estes e tantos outros problemas, isto é o reflexo de uma má gestão e da falta de visão e perspectivas dos nossos gestores públicos. Tenho absoluta certeza que com estratégias e articulações bem feitas nos iriam propiciar resultados mais que agradáveis de forma coletiva. Romper um pouco com as barreiras burocráticas é o melhor caminho para bons resultados.

 Desconforto 2.

Onde estava com a cabeça o curador João de Souza Leite ao permitir de que a exposição “Aloísio Magalhães. Um designer em três tempos” ficasse resumido a um espaço físico extremamente compactado e espremido causando assim um desconforto tanto pra quem vai prestigiar a obra do Aluisio quanto o seu próprio acervo? Tanta informação em um pequeno espaço nos chega a causar náuseas. Talvez o curador tenha escolhido este espaço de forma proposital, ou talvez o MAMAM tenha lançado a idéia de utilizar este espaço para que o público adentrasse no universo dos cartemas ou nos labirinto geométricos do Aluisio. Infelizmente isto não aconteceu.

Achei uma falta de noção, de visão estratégica e sobre tudo de ética ao deixar ali uma exposição de grande importância histórica e visual como a do Aluisio Magalhães. É tudo junto e misturado como uma feijoada muito mal feita.

Já no primeiro e segundo andar encontramos por lá o trabalho de Paulo Meira intitulado “Mensagens Sonoras” que esta sim poderia funcionar super bem lá no térreo tendo uma melhor funcionalidade intimista e compactuada. Sei de que o Paulo tem suas viagens conceituais entre outras coisas, mas diferente de o Marco Amador (só pra citar um exemplo) sua nova exposição “Mensagens Sonoras” fica mais que a desejar, melhor é sair caminhando pela Avenida Conde da Boa Vista ou Bairro de São José e se deixar viajar pelas “Paisagens e Mensagens Sonoras e Visuais” dos vendedores ambulantes do Recife.

Aloísio Magalhães soube “ser um projetador, um projetivo”, porém nesta exposição “Um Designerem Três Tempos” passou longe da grandeza de sua obra que por contradição esta casa leva o seu nome.

No MAMAM até certo tempo existiu vida. Espero que bons frutos possam vir desde toda uma relação humana profissional a excelência e atenção digna de respeito a todo o público que passe por esta casa. Espero que tais desconfortos não voltem a passar comigo e nem a outras pessoas.

Por Ângelo Fábio

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