Pubicado em: ter, mai 26th, 2015

Revelações das sombras Prt.3

Cidar Balan corria alucinadamente, sabia que o seu companheiro Rosk Arsene estava em perigo, notara que foi tudo uma armação para que roubassem o lote de charutos, embora não conseguia ligar o plano dos ladrões com as feras, que estão por ai, soltas pelo vale.

No comboio, o delegado e o policial que na realidade eram criminosos, estavam escondidos atrás das árvores, longe da vista de Rosk Arsene que era muito bom de mira. – eu já estava desconfiando dessa expedição! – disse Rosk. – renda-se, só queremos levar a carga! – disse o delegado. – sinto muito, mas vocês mentiram o tempo todo e não seria agora que passariam a dizer a verdade! – retrucou Rosk.

Cidar Balan estava quase chegando ao local do comboio, embora o caminho estivesse escuro, sua vista já estava acostumada com o breu, podia até ver a iluminação das tochas. Então algo chamou sua atenção, era um homem caminhando lentamente apoiando-se nos pinhais, era Bastian um dos representantes que compraria o lote. Cidar puxou uma pequena faca que estava no bolso e esgueirou-se para trás de uma árvore, Bastian vazia um ruído estranho, emitia um som roufenho e grave. Ele ia em direção ao comboio, Cidar sorrateiramente aproximou-se por trás dele e cravou a faca nas suas costas, ele apenas fez um ruído e girou com o braço golpeando Cidar, com tanta força que ele foi lançado a uns três metros de distância. Cidar estava tonto, foi despertando lentamente, e já consciente tentou levantar, mas Bastian já estava perto e, o pegou pelo pé e, o arrematou novamente. Bastian havia o lançado uns cinco metros de distância, ele estava diferente depois de ter desaparecido, estava com a pele esverdeada e os olhos estavam amarelos, parecia um “morto vivo”.

Em quanto isso no comboio, os tiros já haviam cessado e os três homens apenas se estudavam. – foi tudo uma armação! – falou o delegado. – tínhamos tudo sobre controle, mas esse desaparecimento dos cocheiros foi algo que fugiu do nosso controle! – completou. – vocês não levarão nada, podem ter certeza disso! – berrou Rosk, que espiou um pouco, apontou o revolver e atirou no pé do delegado. – arrrrg! – gritou o delegado. – vou te matar, patife! – o delegado pulou de trás da árvore atirando, e Rosk tentou se encolher, e logo mais gritos dessa vez do outro policial. O delegado virou o rosto e viu tudo, era uma fera enorme e felpuda, como um lobo, de olhos vermelhos, estava dilacerando o pescoço do policial. O delegado tentou correr, mas estava mancando por causa do tiro. Rosk, apenas ficou ouvindo. – venha aqui seu monstro desgraçado! – disse o delegado, depois, gritos e sons de ossos quebrando e grunhidos de cães. Rosk espiou o que era, era “um lobisomem” e estava retaliando o delegado.

Cidar Balan estava em dificuldades, Bastian já estava muito perto quando ainda recuperava a consciência, tateou o chão e achou uma pedra, era do tamanho de um melão. Bastian o suspendeu e o agarrou para tentar esmaga-lo pelo tronco, Cidar ergueu a pedra e a enterrou no crânio de Bastian que morreu logo em seguida. Cidar escapou por pouco, mas ainda teria de ir até o comboio verificar o que havia acontecido com Rosk, ia levantando quando ouviu uma voz. – você conseguiu matar um zumbi desgarrado, ninguém havia conseguido tal feito antes! – falou uma voz. – quem está ai? – perguntou Cidar. E de trás de uma árvore saiu uma menina, aparentava ter no máximo oito anos de idade, pálida de cabelos trançados, negros e brilhosos, estava usando um vestido velho e portava uma boneca sem cabeça. – quem é você? – perguntou Cidar. – estou apenas curiosa e lhe faço a mesma pergunta! – retrucou a menina. – você lutou bravamente, e derrotou um dos filhos do Thrudvang, o monstro da lagoa! – terminou ela. – o quê? Monstro da lagoa? – questionou ele. – sim, Thrudvang tem poderes inimagináveis e é capaz de controlar mentes, transformando suas vítimas em zumbis! – explicou a menina. – ele já foi um ser humano, seu nome era Alec Holland, trabalhou nas minas do Níger, porém certo dia contaminou-se com urânio em umas dessas viagens, ele quase morreu, mas quando voltou pra casa começou a sofrer mudanças físicas, Alec era ótimo um pescador e certo um dia no barco, sentiu-se atraído pelo lago e pulou na água, desde esse dia Alec Holland jamais foi visto novamente, apenas foi visto uma criatura metade pântano metade homem que vaga nas margens falando com as criaturas do pantanal e depois retorna ao fundo da lagoa para repousar! – terminou a menina. – e sobre aquela fera que vi perto do penhasco? – perguntou Cidar. – aquela criatura era a besta do meu senhor, sempre nas luas cheias o meu senhor o solta para que vague pelo vale e faça suas vítimas também, o meu senhor é muito mal! – respondeu a menina. – o que você é? – perguntou Cidar. – sou um fantasma, e já tenho que ir! – respondeu a menina. – como eu irei escapar dessas criaturas? – perguntou Cidar, antes de ver a menina caminhando para trás da árvore. – ora, matador de zumbis, apenas espere o raiar do sol e todos os seus medos acabarão, embora retornem ao crepúsculo!

Próximo dali, em um castelo nos confins de um penhasco, no salão acontecia uma conferência, estavam ali criaturas sombrias, tinha uma bruxa de chapéu pontudo mexendo o caldeirão, e perto um homem corcunda e bizarro que estava segurando a vassoura da velha bruxa com cara de tédio, a mesa estava confeccionada de maneira típica do dia das bruxas. Descendo as escadas do salão de maneira atrapalhada, um homem estranho robusto de pele verde e em retalhos acusando ter sido montado sobmedida, no pescoço havia parafusos, era o Frankenstein e descia sem nenhuma cerimônia. Nesse momento pulava a janela o lobisomem com o focinho cheio de vísceras, foi até o pé da mesa e repousou como um cão, o monstro da lagoa surgia de dentro de uma poça de água no chão perto da bica. – falta mais alguém? – perguntou a bruxa de forma tarimbeira. – faltam sim! – respondeu o contra mestre corcunda, depois deixou escapar uma gargalhada diabólica.  A pequena fantasma surgiu de uma parede e sentou-se na cadeira do canto esquerdo. – ai é o lugar da múmia! – berrou o contra mestre corcunda. – deixe-a ai mesmo! – falou à múmia que saía do sarcófago. Todos estavam sentados, Thrudvang o monstro da lagoa, o Frankenstein, a bruxa Morgana, a múmia e a menina fantasma, o lobisomem estava no chão, todos esperavam o conde chegar. E de forma categórica descia as escadas um charmoso senhor de capa, era o conde e parecia de bom humor, sentou-se no centro da mesa, tinha um porte elegante, cabelos brilhosos, pele pálida, e era um belo homem de meia idade. – isso aqui está parecendo uma citação bíblica! – foi à primeira coisa que disse quando se sentou. Todos ficaram se encarando, depois soltaram uma gargalhada longa, estava uma madrugada agradável para uma convenção de monstros. – apenas vamos achar o nosso Judas! – completou o conde, fitando bem nos olhos da pequena fantasma, que se afundou na cadeira. – ora estão todos aqui, que bom! – comentou o conde, sua voz era tão agradável quanto sua beleza. – falta alguém! – disse o contra mestre. – sim, claro contra mestre! – então a cadeira da ponta direita moveu-se sozinha. – seja bem vindo homem invisível! – reverenciou o conde. – desculpe a demora meu senhor! – disse o homem invisível. A bruxa, que estava na cadeira mais próxima do conde, coçou a berruga que tinha na ponta do nariz pontudo, enquanto a menina fantasma brincava com a boneca sem cabeça, o lobisomem ruía um osso de fêmur no chão no salão sombrio cheio de teias de aranhas e morcegos, quadros antigos, candelabros, clarins e brasões, o monstro da lagoa sussurrava com o Frankenstein. – e então como foram à experiência dos jogos nessa noite esplêndida? – perguntou o conde. – sim senhor, correu tudo muito bem fizemos bastantes vítimas! – falou o monstro da lagoa. – tivemos sobreviventes, suponho! – comentou a bruxa. – não, matamos todos que vimos! – respondeu o monstro da lagoa.

No comboio, o sol já estava surgindo no horizonte. – Rosk, Rosk, onde você está? – berrava Cidar. – estou aqui! – respondeu Rosk. E Rosk apareceu de trás do caixote. – você está bem? – perguntou Cidar. – sim, não estou ferido por sorte! – respondeu Rosk. – vamos sair daqui! – disse Cidar. Os dois homens foram caminhando para a estrada, aliviados por ter passado por uma noite de horrores ilesos.

Em quanto isso, estavam sendo observados pelos monstros, que vinham através da bola de cristal da bruxa. – são eles os sobreviventes? – perguntou o conde. – sim meu senhor! – respondeu a bruxa. – isso é impressionante! – comentou o conde. – o que faremos meu senhor? – perguntou o homem invisível. – ora meus caros, vamos esperar anoitecer! – respondeu o conde, depois soltou uma gargalhada que contagiou  todos que também deram gargalhada, menos a pequena fantasma que estava querendo chorar, mas não podia.

Fim.

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