Pubicado em: ter, mai 19th, 2015

Revelações das sombras Prt.2

 

A lua estava cheia, passava da meia noite, o bosque próximo à vila de Zalau era assustador nesses aspectos, silenciosa e repulsante. Ouvia-se um farfalhar, era um compasso binário e de pouco alcance, passou depois se ouviu outro compasso, esse bem mais alto, era apressado, tinha também uma respiração fadigada, logo após, um grunhido seguido de um grito, o grito era de um dos cocheiros.

Perto dali, os homens verificavam as carroças. – vamos pensar em algo realista aqui senhores, poderemos chegar a uma conclusão! – sugeriu o delegado. – por certo os homens se assustaram com algo, e fugiram com os cavalos! – disse Olaf. – cale-se, que se dane o que você acha, temos negócios a tratar aqui! – interrompeu Rosk. – senhor Arsene, acalme-se podemos resolver isso! – disse Cidar. – certo, então vamos, um vai até Zalau buscar ajuda! – sugeriu o delegado. – eu vou! – disse Olaf. – você não vai sair da minha vista! – berrou Rosk Arsene, e os policiais tiveram que segurá-lo para ele não agredir Olaf. – eu vou! – disse Cidar. – e vocês ficam aqui tomando conta do lote! – completou. – o quê? Vamos deixar esse lote pra lá, eu não quero mais! – disse Olaf. – desgraçado! – berrou Rosk, acertando um soco no rosto de Olaf. Os policiais o seguraram. – vamos terminar essa palhaçada, se não, iremos processar sua companhia! – disse Rosk. – senhor Balan, o policial Mertens irá acompanhá-lo! – disse o delegado.

Cidar e Mertens rumaram para a cidadela de Zalau, eles tomaram o caminho escuro do vale, o policial Mertens parecia em estado de choque, seus olhos acusavam o pavor que sentia. – você está bem? – perguntou Cidar. – o homem era jovem e inexperiente, apenas acenara com a cabeça positivamente. – muito bem, tenho pericias em rastreamento e sobrevivência, vou liderar o trajeto e faça o que eu digo, agora verifique o seu revolver! – disse Cidar. – tudo em ordem, senhor! – disse o jovem policial.

Rosk Arsene estava observando a carga de charutos, havia marcas de sangue e estrias nos caixotes, pareciam marcas de arranhões, retirou do bolso um caderno e fez algumas anotações. Enquanto isso o delegado levava Olaf para longe, talvez para conversar a sós, o outro policial ficou ali perto, parecia inquieto. – isso não está certo, você disse que estaríamos seguro! – falou Olaf. – ora, faça-me o favor, atravessamos o país e estamos a dois quilômetros da fronteira! – retrucou o delegado. – não irei ouvir suas queixas novamente! – completou. – o patrão foi bem claro sobre o prazo, teríamos que está lá ao amanhecer! – falou Olaf. – vamos evitar discutir isso aqui, o fiscal está ali! – sussurrou o delegado. Os dois olharam para o fiscal de forma sincronizada. – vamos aguardar o novato dar cabo da vida do outro e assim poderemos se livrar desse aqui! – falou o delegado.

A noite parecia sem fim, o nevoeiro dos montes moldávios cobriam as forragens, e apenas se ouvia o farfalhar dos dois homens que caminhavam com cautela. Cidar era um homem magro, demonstrava agilidade e parecia bastante instintivo, e Mertens era um jovem alto e forte, mas parecia inofensivo e amedrontado. – Mertens espere, ouviu algo? – perguntou Cidar. O jovem abanara apenas a cabeça negativamente. – fique aqui, eu irei checar! – falou Cidar. O jovem policial ficou na penumbra, ao pé de um pinhal.

Cidar Balan esgueirou-se para junto de um rochedo e, percebeu que eles haviam chegado a um desfiladeiro, beirou-se na rocha e viu o córrego de pedras, mas estava escuro e não sabia se era muito alto, percebera apenas pelo som do vento que ecoava nos paredões. Além do vento, ouviu também o sino de Zalau tocando, era noite de vigília e os cristãos estavam reunidos na praça em volta da fogueira fazendo preces, Cidar forçou a visão e avistou as marquises da igreja da cidade. Quando virou para chamar Mertens, deparou-se com o jovem policial segurando o revolver e apontava em sua direção. – Mertens? – reagiu Cidar levantando os braços. – vire-se! – berrou o jovem, gaguejando. Cidar ficou surpreso. – o que significa isso? – perguntou. – apenas vire-se, por favor! – berrou novamente. – Cidar foi virando devagar, estava inconformado e confuso. Olhou a escuridão do abismo à frente e refletiu se seria a única saída, mas apenas esperou a bala. Mertens fechou os olhos e pressionou o dedo no gatilho, mas antes de atirar, uma fera sorrateira, felpuda e de olhos vermelhos surgiu por trás dele, fincou suas garras no dorso de Mertens que ainda atirou para o alto, depois eles sumiram na escuridão, e os gritos soaram por alguns segundos.

Perto do comboio, os homens perto dos caixotes de charutos ouviram o tiro e os gritos, mesmo estando distante do penhasco. – eu sabia que isso iria acontecer! – falou Rosk Arsene. – bom, agora iremos esperar ele voltar com alguns cavalos e sairemos daqui! – falou o delegado para Olaf. – até que o novato teve coragem! – comentou Olaf para o delegado.

Cidar virou-se e ainda viu a fera arrastando Mertens, ele desequilibrou-se caindo do penhasco. Rapidamente, enquanto caía, tateou o paredão e conseguiu agarrar um galho robusto, ficou ali pendurado tempo o suficiente para ver a fera voltar à beira do rochedo, havia voltado para ceifa-lo também.

Rosk Arsene estava impaciente, chegara à conclusão de que teria que sair daquele local sombrio. – vou atrás do meu caixeiro, quem vem comigo? – perguntou ele. Os outros ficaram de rumorejo, o delegado falava enaltecido entre eles, depois olhou para Rosk Arsene. – espere quem vai fiscalizar a carga? – perguntou o delegado. – a carga que se dane, vou sair daqui! – berrou Rosk. – não vai! – disse o delegado. Os homens ficaram se encarando, Rosk Arsene tinha uma beretta 9mm no bolso da calça e tentou pegá-la, o delegado e o policial sacaram a arma e saíram atirando contra Rosk que pulou feito um gato para trás de um dos caixotes. Ele puxou a beretta 9mm, deu uma olhada e atirou na cabeça de Olaf que caiu morto. Depois ouviu os gritos do delegando praguejando contra o que Rosk tinha feito. – vou te matar desgraçado! – berrou o delegado atrás de uma árvore. – vai pagar! – berrou o outro policial. – ficaram ali uns minutos, estavam ofegantes e apreensivos, estavam dispostos a matar uns aos outros.

Cidar decidira finalmente tentar escalar o rochedo para chegar à beirada, subiu devagar e com cuidado, a rocha estava musguenta. Chegou ao alto e não viu nenhuma fera, assim partiu correndo para o comboio, pois havia escutado tiros vindos de lá.

Continua…

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